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Voltando a divagar sobre os Contos de Fadas, viajo na maionese hoje na estória da Pequena Sereia. Essa é triste! Creiam, muitas mulheres com as quais você esbarra são sereiazinhas desprovidas de suas belas caudas e de suas encantadoras vozes.
Na versão original de Andersen, a Pequena Sereia salva o príncipe de um afogamento, e este se apaixona por aquela criatura linda e de belíssima voz. Fisgou, mas foi fisgado.
A sereiazinha, sabendo da impossibilidade de viver essa paixão, resolve tornar-se humana. Eu sempre me pergunto: Por que o principe não poderia ter virado um “sereio”??? Como sempre, a mulher se molda.
Ela procura então uma feiticeira, e faz um pacto. A feiticeira lhe concede pernas em troca de sua bela voz. Avisou que a sereiazinha sentiria terríveis dores nas pernas para o resto da vida e nunca mais poderia voltar ao fundo do mar.
Ela parte então, à procura do seu príncipe, mas ele não a reconhece, porque se apaixonou por uma sereia de bela voz, e aquela que se apresentava a ele era uma menina muda... Concordam comigo que já viram essa estória???
Mudar, meus amores e amoras, é, claro, um processo natural e saudável na vida, mas não significa moldar-se ao gosto de ninguém. Abrir mão da própria essência e se tornar outra pessoa só pra agradar o outro não é prova de amor, é sim prova de falta de amor próprio. E quem não se ama, não pode ser amada!!!!!!!!!
De repente o homem ou a mulher da sua vida olha pro lado e pergunta: Cadê aquela pessoa que me encantou um dia??? Ela olha e só vê uma versão dela mesma.
Ame, mude, mas não abra mão da sua essência.
Fique com a sua voz.
Fique com a sua cauda!!!
-AnaLua-


criado por AnaLua
14:31:15
Inicio hoje uma série de "divagações" sobre um assunto que amo: Contos de Fada.
Começo com um dos meus personagens favoritos: Chapeuzinho Vermelho
Chapeuzinho porque pueril, meiga. Vermelho porque simboliza paixões violentas e arrojadas.
Tem-se aí configurados os conflitos pelos quais a heroína passará, gerados pelo sentimento de docilidade e obediência, de um lado, e o desejo de aventuras e grandes emoções, de outro.
Com a estrutura do conto folclórico tradicional, a história abre-se em uma primeira seqüência, que é a atribuição de uma tarefa à heroína: levar um presente à avó doente que mora do outro lado da floresta (em tempo, a avó simboliza a anciã que toda mulher tem dentro de si). O cumprimento da tarefa implica em que a menina vença um obstáculo, isto é, atravesse a floresta. E a floresta representa o mundo com todos os seus perigos.
Na floresta, a menina defronta-se com a dificuldade maior, o lobo, personalização da maldade, da esperteza. Ma o lobo é, ainda, um símbolo de sedução, à qual Chapeuzinho Vermelho sucumbe, aceitando o convite de colher flores permitindo, com isso, que o mesmo possa chegar antes à casa da avó e realizar seu plano. Entre o dever de cumprir uma tarefa e o prazer, a menina opta pelo último, levada pela proposta atraente que recebe e ansiosa por fazer descobertas sobre o mundo ainda não conhecido.
O clima de curiosidade e indagação continua com a chegada da heroína à casa da avó e a percepção de um ambiente diferente. A compreensão da realidade é profundamente sensorial daí a menina perguntar sobre os traços da avó, todos referentes aos sentidos (audição, visão, tato, paladar)
Mas o desbravamento do mundo não se faz de forma ingênua e distraída. Porque Chapeuzinho Vermelho parte sem defesas, ela cai nas garras do lobo, das quais não consegue se desvencilhar sozinha. Surge, então, o caçador, com a função de restabelecer a ordem, em oposição ao lobo, elemento sedutor e destruidor das personagens femininas.
Na verdade, o caçador simboliza a nossa própria força, a nossa própria consciência para nos desvencilharmos do predador.
Uma força que toda mulher tem!


criado por AnaLua
00:03:36