Mulher de Lua

Me dou. E não aceito devolução. Há dentro de nós um outro alguém que não conhecemos. Divide conosco o corpo e a mente. É esse outro alguém que quero deixar aqui.

Mulher de Lua

Me dou. E não aceito devolução. Há dentro de nós um outro alguém que não conhecemos. Divide conosco o corpo e a mente. É esse outro alguém que quero deixar aqui.
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Arquivo de: Maio 2007

30.05.07

Eu e a poesia

Poesias me emocionam.

Algumas letras de música, verdadeiras poesias, também.

Dentre muitas poetisas maravilhosas, Florbela Espanca às vezes me faz chorar.

Versos de Orgulho

O mundo quer-me mal porque ninguém

Tem asas como eu tenho! Porque Deus

Me fez nascer Princesa entre plebeus,

Numa torre de orgulho e de desdém

 

Porque o meu Reino fica para além...

Porque trago no olhar os vastos céus

E os oiros e clarões são todos meus!

Porque eu sou Eu e eu sou Alguém!

 

O mundo? O que é o mundo, ó meu Amor?

O jardim dos meus versos todo em flor...

A seara dos teus beijos, pão bendito...

 

Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços...

São os teus braços dentro dos  meus braços,

Via Láctea fechando o Infinito

-Florbela Espanca-

12.05.07

MATERNIDADE: o melhor de mim

categorias: Eu Deméter

Não sou uma super-mãe.

Mas o que sinto pelas minhas crias é o mais forte e irracional amor que pode existir.

Uma mulher pode ter várias paixões, vários afetos, mas AMOR, no seu real significado, na sua verdadeira essência, é tão somente o que liga ela aos seus rebentos.

Eles sim, são os verdadeiros, eternos e incondicionais amores da minha vida.

O meu amor de mãe é a raiz de toda minha força.

É o que me torna plena como uma lua cheia!

Uma mulher que é mãe

pela sua dedicação tem muito de anjo

Sendo moça

pensa como uma anciã

Sendo velha

age com todas as forças da juventude

Quando ignorante,

melhor que qualquer sábio,

desvenda os segredos da vida.

Quando sábia

assume a simplicidade das crianças.

Sendo forte

estremece ao choro de uma criancinha.

Sendo fraca

se alteia com a bravura das leoas.

 

07.05.07

Dupla personalidade II

categorias: Eu Perséfone

Os dois lados

 

Deste lado tem meu corpo

tem o sonho

tem a minha namorada na janela

tem as ruas gritando de luzes e movimentos

tem meu amor tão lento

tem o mundo batendo na minha memória

tem o caminho pro trabalho

 

Do outro lado tem outras vidas

vivendo a minha vida

tem pensamentos sérios me esperando

na sala de visitas

tem minha noiva definitiva me

esperando com flores na mão

tem a morte,

as colunas da ordem e da desordem

-Murilo Mendes-

06.05.07

Minha dupla personalidade

categorias: Eu Afrodite

O Segredo da Mulher

 

Seu rosto era de Maria

com os olhos de Madalena,

sorriso de Maria

e cabelos de Madalena

Não podia ser só Maria,

Nem ser só Madalena.

As roupas eram de Maria,

mas só pra enganar.

Fisgava dessa forma mesmo:

no começo era apenas Maria

e depois bem Madalena

Para então - só no final -

ser Maria Madalena

-autor por mim desconhecido-

05.05.07

Chapeuzinho Vermelho para Maiores

categorias: Contos de Fadas

Inicio hoje uma série de "divagações" sobre um assunto que amo: Contos de Fada.

Começo com um dos meus personagens favoritos: Chapeuzinho Vermelho

Chapeuzinho porque pueril, meiga. Vermelho porque simboliza paixões violentas e arrojadas.

Tem-se aí configurados os conflitos pelos quais a heroína passará, gerados pelo sentimento de docilidade e obediência, de um lado, e o desejo de aventuras e grandes emoções, de outro.

Com a estrutura do conto folclórico tradicional, a história abre-se em uma primeira seqüência, que é a atribuição de uma tarefa à heroína: levar um presente à avó doente que mora do outro lado da floresta (em tempo, a avó simboliza a anciã que toda mulher tem dentro de si). O cumprimento da tarefa implica em que a menina vença um obstáculo, isto é, atravesse a floresta. E a floresta representa o mundo com todos os seus perigos.

Na floresta, a menina defronta-se com a dificuldade maior, o lobo, personalização da maldade, da esperteza. Ma o lobo é, ainda, um símbolo de sedução, à qual Chapeuzinho Vermelho sucumbe, aceitando o convite de colher flores permitindo, com isso, que o mesmo possa chegar antes à casa da avó e realizar seu plano. Entre o dever de cumprir uma tarefa e o prazer, a menina opta pelo último,  levada pela proposta atraente que recebe e ansiosa por fazer descobertas sobre o mundo ainda não conhecido.

O clima de curiosidade e indagação continua com a chegada da heroína à casa da avó e a percepção de um ambiente diferente. A compreensão da realidade é profundamente sensorial daí a menina perguntar sobre os traços da avó, todos referentes aos sentidos (audição, visão, tato, paladar)

Mas o desbravamento do mundo não se faz de forma ingênua e distraída. Porque Chapeuzinho Vermelho parte sem defesas, ela cai nas garras do lobo, das quais não consegue se desvencilhar sozinha. Surge, então, o caçador, com a função de restabelecer a ordem, em oposição ao lobo, elemento sedutor e destruidor das personagens femininas.

Na verdade, o caçador simboliza a nossa própria força, a nossa própria consciência para nos desvencilharmos do predador.

Uma força que toda mulher tem!