Mulher de Lua

Me dou. E não aceito devolução. Há dentro de nós um outro alguém que não conhecemos. Divide conosco o corpo e a mente. É esse outro alguém que quero deixar aqui.

Mulher de Lua

Me dou. E não aceito devolução. Há dentro de nós um outro alguém que não conhecemos. Divide conosco o corpo e a mente. É esse outro alguém que quero deixar aqui.
<  Outubro 2006  >
S T Q Q S S D
            1
2 3 4 5 6 7 8
9 10 11 12 13 14 15
16 17 18 19 20 21 22
23 24 25 26 27 28 29
30 31          
Buscar
Blogs Favoritos
Receba os posts
Terra Blog

Arquivo de: Outubro 2006

15.10.06

Athena

categorias: Eu Atena

Deusas renegadas se vingam

E Athena tem sido cruel comigo.

Resolvi dar atenção aos seus apelos em mim

Por isso, vou me ausentar por uns dias, mas volto

Com data marcada: final de novembro

Até lá estarei estudando. Bastante.

Sem tempo pras paixões de Afrodite nem reflexões de Perséfone.

"Viver sob a influência do arquétipo Atena, significa viver inteligentemente e agir premeditadamente no mundo patriarcal. A mulher que vive desse modo, leva uma vida unilateral e vive quase que exclusivamente para seu trabalho. Ainda que aprecie a companhia dos outros, falta-lhe a carga emocional, atração erótica, intimidade, paixão ou êxtase. " 

A exclusiva identificação com a racional Atena desliga toda a mulher da cadeia e intensidade da emoção humana. Seus sentimentos são bem modulados por Atena, limitados ao meio-termo.

Agindo intelectualmente, a mulher-Atena pouco sabe sobre a sensualidade, pois Atena a mantém acima do nível instintivo, e portanto ela não sente a força total dos instintos maternais, sexuais ou procriativos. Não há possessão no amor de Atena e inclusive quase nenhum desejo sexual. " - Rosane Volpatto -

É como descrito acima que me encontro nesse período. Estranho pra mim, mas até necessário.

Até breve!



 

 

14.10.06

DA LIBERDADE

categorias: Eu Afrodite

"I'll spread my wings and I'll learn how to fly.
I'll do what it takes till I touch the sky.
Make a wish, take a chance,
Make a change, and break away.
Out of the darkness and into the sun.
But I won't forget all the ones that I love.
I'll take a risk, take a chance,
Make a change, and break away " - Kelly Clarckson -

Descobrindo sua Afrodite...Ferida...Amante...E alquímica.

Obrigada amado meu,

Obrigada por não me amares tanto assim

Como eu a ti

Obrigada por não te apaixonares por mim como eu por ti

Pois graças a isso posso agora voar

Para bem longe ou para bem perto

Onde a Minha vida e não a

Tua me chamar

Onde as minhas enormes asas

Que tanta necessidade têm de se abrir

Quiserem ir

E me mostrar quão fortes estão

E de quanto espaço necessita

Se não fosse assim

Me conformaria, amado meu

Em permanecer encolhida, pequena, menos do que sou

Fingindo ser uma galinha,

Quando águia sou...

Obrigada por não me amares tanto assim

Pois é pela dor, pela falta, pelo pouco...

Que vôo além, muito além...

Do mundo do pouco ao infinito mundo

Sem as portas, as janelas, as muralhas.

Que meu coração aceitaria

Se tu me amasses tanto assim

Abri de novo minhas potentes asas.

Adeus.

Fátima Pessoa.

12.10.06

DESÍGNIOS

categorias: Eu Afrodite

Alguém pode me dizer

se estava prevista

na palma da minha mão

esta paixão inesperada

se já estava escrita e

demarcada

na linha da minha vida

se fazia já parte da estrada

e tinha

que ser vivida

ou foi um desgoverno repentino

que surpreendeu os deuses,

todos os que desenham nosso destino

ou foi um desatino,

uma loucura,

uma imprevisível subversão

que só a partir de agora eu trago

marcada

na palma da minha mão

 

Bruna Lombardi

 

08.10.06

Abandono

categorias: Eu Atena

O meu amor

Deixei-o como deixa uma mãe desnaturada

o seu filhinho, embrulhado em panos

na porta de uma casa qualquer.

Deixei-o assim

E saí sem olhar prá trás

Deixando um pedaço sagrado de mim

E ainda cheia de leite prá alimentar

Indo contra a mais sagrada lei da natureza.

Assim deixei o meu amor

Como quem se dessacraliza

Abrindo mão de seus sagrados deveres

Dos seus mais preciosos deleites

De todo o sentido da vida.

E sigo em frente

Com a cerviz dura

Com um coração agora tão frio

Com os peitos derramando leite

Com meus instintos amarrados

Com os ouvidos cerrados, indiferentes ao seu choro

Uma mulher destituída do seu sentido de viver.

 

AnaLua

 

 

 

07.10.06

A MULHER SELVAGEM

categorias: Eu Afrodite

Sua beleza é arisca, arredia aos modismos. Ela encanta por um não-sei-quê indefinível... mas que também agride o olhar. É um tipo raro e não tem habitat definido: vive em Catmandu, mora no prédio ao lado ou se mudou ontem para Barroquinha. E não deixou o endereço. É ela, a mulher selvagem.

Em quase tudo ela é uma mulher comum: pega metrô lotado, aproveita as promoções, bota o lixo para fora e tem dia que desiste de sair porque se acha um trapo. Porém em tudo que faz exala um frescor de liberdade. E também dá arrepios: você tem a impressão que viu uma loba na espreita. Você se assusta, olha de novo... e quem está ali é a mulher doce e simpática, ajeitando dengosa o cabelo, quase uma menininha. Mas por um segundo você viu a loba, viu sim. É a mulher selvagem.

A sociedade tenta mas não pode domesticá-la, ela se esquiva das regras. Quando você pensa que capturou, escapole feito água entre os dedos. Quando pensa que finalmente a conhece, ela surpreende outra vez. Tem a alma livre e só se submete quando quer. Por isso escolhe seus parceiros entre os que cultuam a liberdade. E como os reconhece? Como toda loba, pelo cheiro, por isso é bom não abusar de perfumes. Seu movimento tem graça, o olhar destila uma sensualidade natural - mas, cuidado, não vá passando a mão. Ela é um bicho, não esqueça. Gosta de afago mas também arranha.

Repare que há sempre uma mecha teimosa de cabelo: é o espírito selvagem que sopra em sua alma a refrescante sensação de estar unida à Terra. É daí que vem sua força e beleza. E sua sabedoria instintiva. Sim, ela é sábia, pois está em harmonia com os ritmos da Natureza. Por isso conhece a si mesma, sabe dos seus ciclos de crescimento e não sabota a própria felicidade. Como todo bicho ela respeita seu corpo mas nem sempre resiste às guloseimas. Riponga do mato, gabriela brejeira? Não necessariamente, a maioria vive na cidade. E há dias paquera aquele pretinho básico da vitrine. E adora dançar em noite de lua. Ah, então é uma bruxa... Talvez, ela não liga para rótulos. Sabe que a imensidão do ser não cabe nas definições.

Mulheres gostam de fazer mistério. Ela não, ela é o mistério. Por uma razão simples: a mulher selvagem sabe que a vida é uma coisa assombrosa e perfeita, e viver o mais sagrado dos rituais. Ela sente as estações e se movimenta com os ventos, rindo da chuva e chorando com os rios que morrem. Coleciona pedrinhas, fala com plantas e de uma hora para outra quer ficar só, não insista. Não, ela não é uma esotérica deslumbrada mas vive se deslumbrando: com as heroínas dos filmes, aquela livraria nova, o CD do fulano... Ela se apaixona, sonha acordada e tem insônia por amor. As injustiças do mundo a angustiam mas ela respira fundo e renova sua fé na humanidade. Luta todos os dias por seus sonhos, adormece em meio a perguntas sem respostas e desperta com o sussurro das manhãs em seu ouvido, mais um dia perfeito para celebrar o imenso mistério de estar vivo.

Ela equilibra em si cultura e natureza, movendo-se bela e poética entre os dois extremos da humana condição. Ela é rara, sim, mas não é uma aberração, um desvio evolutivo. Pelo contrário: ela é a mais arquetípica e genuína expressão da feminilidade, a eterna celebração do sagrado feminino. Ela está aí nas ruas, todos os dias. A mulher selvagem ainda sobrevive em todas as mulheres mas a maioria tem medo e a mantém enjaulada. Ela é o que todas as mulheres são, sempre foram, mas a grande maioria esqueceu.

Felizmente algumas lembraram. Foram incompreendidas, sim, mas lamberam suas feridas e encontraram o caminho de volta à sua própria natureza. Esta crônica é uma homenagem a ela, a mulher selvagem, o tipo que fascina os homens que não têm medo do feminino. Eles ficam um pouco nervosos, é verdade, quando de repente se vêem frente a frente com um espécime desses. Por isso é que às vezes sobem correndo na primeira árvore. Mas é normal. Depois eles descem, se aproximam desconfiados, trocam os cheiros e aí... Bem, aí a Natureza sabe o que faz.

Ricardo Kelmer - www.ricardokelmer.net

Ricardo Kelmer é escritor, letrista e roteirista e mora em São Paulo, Terra, 3a. pedra do Sol

Comunidade no Orkut: Eu leio Ricardo Kelmer